Resumo do artigo feito pelo Tio Chatinho:
Neste artigo, Nepô apresenta o Formacionismo como um novo Ambiente de Diálogo Científico dedicado a integrar e organizar a inevitável Formação Conceitual do Sapiens, diferenciando o campo geral (a “praça”, definida por seu Núcleo Duro Ambientológico) das correntes teóricas específicas (as “barracas”, orientadas por Núcleos Duros Fenomenológicos), e sustenta que a transição para a Civilização 2.0 exige das pontas maior Robustez Conceitual para lidar com o aumento radical da autonomia e da responsabilidade individual diante das decisões cotidianas.
Vamos ao Artigo:
“Podemos ignorar a realidade, mas não podemos ignorar as consequências de ignorar a realidade.” – Ayn Rand.
A Civilização 2.0 está aumentando radicalmente a quantidade de decisões que passam dos centros para as pontas.
Quanto mais descentralizados são os Modelos de Cooperação, mais cada Sapiens precisa escolher por conta própria e assumir as consequências das próprias escolhas.
E quanto mais escolhas temos, mais precisamos aprender a escolher.
Esse é o ponto de partida do Formacionismo.
O Sapiens sempre passou, desde suas origens, por uma Formação Conceitual.
Outras espécies são instintivas, nós somos formados conceitualmente para virar Sapiens.
Nascemos dentro de ambientes nos quais já existem uma infinidade gigante de conceitos sobre felicidade, dinheiro, trabalho, família, amor, sucesso, verdade, sociedade, morte e sobre nós mesmos.
Quando falamos em filosofia, religião, formação política, tudo parece opcional, mas não é.
Somos obrigatoriamente formados e é dessa formação que é definida a qualidade de vida de cada pessoa e das sociedades.
Podemos dizer que existe um contínuo entre uma Formação Conceitual Mais Espontânea e uma Formação Conceitual Mais Reflexiva.
A Formação Conceitual Mais Espontânea é aquela na qual predominam conceitos incorporados pela convivência, família, cultura, tradição, religião, mídia, experiências pessoais e senso comum, com menor reflexão sistemática sobre a sua funcionalidade.
A Formação Conceitual Mais Reflexiva é aquela na qual os conceitos são submetidos a maior reflexão, comparação, crítica, observação das consequências e aprimoramento sistemático.
O “mais” é importante, pois não estamos falando de duas categorias estanques. Toda Formação Conceitual combina, em diferentes proporções, elementos mais espontâneos e mais reflexivos.
E é importante reconhecer que a Formação Conceitual Mais Reflexiva também sempre existiu. Diferentes Conceituadores Fortes e diferentes Ambientes de Diálogo, como a Filosofia, a Psicologia, a Economia, a Sociologia e a Educação, produziram e continuam produzindo conceitos fundamentais para a formação do Sapiens.
O Formacionismo, portanto, não está propondo inventar a Formação Conceitual Mais Reflexiva. Está propondo reorganizar essa atividade, hoje dispersa por diferentes Ambientes de Diálogo, em torno de um fenômeno central explícito: a Formação Conceitual do Sapiens.
Se a nossa formação é inevitável e influencia profundamente as decisões que tomamos, por que não criar um Ambiente de Diálogo Científico explicitamente dedicado a torná-la cada vez mais consciente e robusta?
Temos que aproveitar tudo que já foi produzido de bom pelos conceituadores fortes do passado e fazer com que a nossa formação seja melhor para que possamos ter vidas melhores.
O Formacionismo é uma proposta de criar um campo de diálogo que nos permite levar de forma muito mais consciente e séria essa formação.
Os diferentes Ambientes de Diálogo podem continuar aprofundando os fenômenos específicos aos quais se dedicam. O Formacionismo não pretende substituí-los. Sua função é diferente: reorganizar parte desse patrimônio conceitual a partir da Formação Conceitual integrada do Sapiens.
Afinal, o Sapiens não vive departamentos acadêmicos. Ele vive uma vida. E precisa integrar conceitos sobre dinheiro, trabalho, saúde, relações, sociedade, felicidade, valores e trajetória existencial para tomar decisões concretas.
Se antes isso já era demandado, muito mais será agora, quando entramos na Civilização 2.0, na qual cada Sapiens será muito mais responsável do que tínhamos no passado.
Assim, temos duas justificativas complementares para o Formacionismo. A primeira é permanente: o Sapiens sempre passou inevitavelmente por uma Formação Conceitual. A segunda é histórica: a Civilização 2.0 aumenta radicalmente a Taxa de Autonomia e Responsabilidade e, portanto, aumenta a necessidade de uma Formação Conceitual Mais Reflexiva e Robusta.
Durante boa parte da história, muitos dos caminhos possíveis para cada indivíduo eram mais centralizados.
A Formação Básica Obrigatória é mais ou menos centralizada, conforme cada família, país, região e também varia conforme a topologia das mídias.
O Digital está nos trazendo uma topologia mais descentralizada, o que nos obriga a termos uma Formação Básica Obrigatória mais forte do que a atual.
Por isso, precisamos de um novo campo.
Eis a regra:
Quanto maior a Taxa de Autonomia e Responsabilidade, maior precisa ser a Robustez Conceitual do Sapiens.
Robustez Conceitual não significa erudição, quantidade de livros lidos ou sofisticação intelectual.
Significa conseguir operar cada vez melhor um ciclo:
Conceito → decisão → ação → consequência → avaliação → aprimoramento → nova ação.
Conceitos mais robustos tendem a permitir ações mais funcionais.
E uma Formação Conceitual mais robusta precisa também ensinar o Sapiens a observar as consequências das próprias escolhas e aprimorar continuamente os conceitos que utiliza para conduzir a vida.
O Formacionismo, entretanto, não pretende estabelecer uma única resposta sobre como devemos viver.
Ele pretende criar um novo Ambiente de Diálogo Científico para que possamos analisar as diferentes alternativas.
Todo Ambiente de Diálogo Científico possui aquilo que podemos chamar de Núcleo Duro Ambientológico.
O Núcleo Duro Ambientológico não determina as respostas que serão aceitas naquele ambiente.
Ele define qual é o problema que justifica a existência daquela praça e quais são as perguntas fundamentais que serão feitas nela.
A Psicologia, por exemplo, abriga diferentes correntes que apresentam explicações e propostas distintas para os fenômenos psicológicos. A existência de diferentes correntes não elimina o Ambiente de Diálogo. Ao contrário, é dentro dele que diferentes respostas podem disputar espaço.
O Núcleo Duro Ambientológico do Formacionismo pode ser resumido assim:
O Sapiens passa inevitavelmente por uma Formação Conceitual que interfere nas suas decisões e, por meio delas, na sua possibilidade de viver melhor ou pior. Por ser inevitável e consequente, essa formação merece tornar-se objeto explícito de um Ambiente de Diálogo Científico.
Fugimos, assim, da ideia de que é bom estudar filosofia, mas não é obrigatório.
O Formacionismo parte de outra constatação: estudar Filosofia é opcional, mas ser conceitualmente formado não é.
Este é o Núcleo Duro Ambientológico do Formacionismo.
A partir daí começam as diferentes respostas das correntes que ocuparão essa nova praça.
Dentro da abordagem Bimodal do Formacionismo, uma linha entre várias que podem surgir, acrescentamos uma hipótese fenomenológica específica: há uma relação entre a Topologia de Poder, a Taxa de Autonomia e Responsabilidade e a Robustez da Formação Conceitual.
Quanto maior a autonomia e a responsabilidade transferidas para cada Sapiens, mais reflexiva e robusta precisa ser essa Formação Conceitual.
Essa hipótese pertence ao Formacionismo Bimodal e não precisa ser aceita por todas as demais correntes para que continuem fazendo parte do Formacionismo.
Esse é o núcleo da nova praça.
Sim, é uma praça, na qual estamos propondo um tipo de “feirinha”, na qual poderá haver diversos tipos de barraqueiros.
O Formacionismo não é uma barraca, mas uma grande feira dentro de uma praça.
O Formacionismo Bimodal é uma barraca dentro da feira.
A Formação Conceitual Mais Reflexiva sempre existiu, mas foi sendo distribuída por diferentes Ambientes de Diálogo. O Formacionismo propõe reorganizar parte desse patrimônio em torno de um fenômeno central explícito: a Formação Conceitual do Sapiens.
Uma feira numa praça não determina quais barracas existirão nela.
Ela cria o ambiente no qual diferentes barracas podem aparecer.
O mesmo vale para o Formacionismo.
Dentro dele poderão existir diferentes correntes, cada uma oferecendo respostas distintas para as perguntas formacionistas.
Alguém poderá propor um Formacionismo Marxista, reorganizando conceitos de Marx para responder aos problemas formacionais.
Outro poderá propor uma corrente inspirada nos estóicos.
Outro poderá partir de Ayn Rand.
Outro poderá combinar autores e desenvolver uma proposta inteiramente nova.
A Bimodais apresentará também sua própria corrente, aberta à crítica, revisão e aprimoramento.
Nenhuma dessas correntes é o Formacionismo.
Elas são barracas dentro da nova praça.
Isso permite distinguir dois níveis:
- Núcleo Duro Ambientológico: define o Ambiente de Diálogo e suas perguntas estruturantes;
- Núcleos Duros Fenomenológicos: definem as diferentes respostas propostas pelas correntes que surgem dentro desse ambiente.
O Núcleo Duro Ambientológico define a praça. Os Núcleos Duros Fenomenológicos definem as diferentes barracas que disputam espaço dentro dela.
O Formacionismo organiza a disputa.
Não determina antecipadamente seu resultado.
Há, entretanto, uma característica fundamental da praça que estamos propondo.
O objetivo não é produzir conceitos apenas para tornar o próprio Formacionismo intelectualmente mais sofisticado.
As diferentes correntes vão propor Formações Conceituais.
Essas formações serão incorporadas por instituições formadoras ou diretamente pelas pessoas.
As pessoas tomarão decisões a partir delas.
As decisões produzirão consequências.
E, no médio e longo prazo, será possível observar quais propostas estão ajudando mais ou menos as pessoas e as sociedades a viver melhor.
É justamente aqui que aparece a função integradora do Formacionismo: acompanhar o ciclo completo que vai dos conceitos às decisões, das decisões às ações, das ações às consequências e das consequências ao aprimoramento dos próprios conceitos.
É justamente por isso que diferentes correntes poderão discordar até mesmo sobre o significado de qualidade de vida.
Uma corrente poderá considerar dinheiro e patrimônio como finalidade central.
Outra poderá considerá-los meios.
O Potencialismo, dentro do Formacionismo Bimodal, por exemplo, pode defender que dinheiro é predominantemente meio e que o desenvolvimento das potências singulares, tendo o BOMTRC (Bom Humor, Otimismo, Motivação, Tranquilidade, Resiliência e Criatividade) como referência, deve ocupar posição mais alta na hierarquia existencial.
Essa é uma proposta.
Não é uma imposição do Formacionismo.
O papel da nova praça é permitir que propostas como essa sejam explicitadas, comparadas, utilizadas e continuamente aprimoradas diante das consequências que produzem.
Isso significa que o Formacionismo não precisa definir previamente uma única métrica universal de qualidade de vida. Diferentes correntes poderão propor diferentes critérios e submetê-los à discussão e à observação de suas consequências.
Três grandes áreas do Formacionismo Bimodal
A partir do patrimônio que vínhamos desenvolvendo na Ciência da Inovação, que agora virou Formacionismo, podemos imaginar inicialmente três grandes áreas:
- Formacionismo Civilizacional, dedicado às perguntas sobre como formar o Sapiens para compreender e participar melhor da organização da sociedade;
- Formacionismo Organizacional, dedicado às perguntas sobre como formar o Sapiens para participar e organizar melhor os diferentes Modelos de Cooperação;
- Formacionismo Individual, dedicado às perguntas sobre como cada pessoa pode conduzir melhor sua trajetória particular.
Cada uma dessas áreas poderá abrigar diferentes correntes.
E novas divisões poderão surgir conforme o próprio campo amadurecer.
A proposta do Formacionismo Bimodal, uma barraca dentro da praça, nasce, portanto, de um diagnóstico civilizacional.
- O aumento da Complexidade Demográfica favorece o surgimento de novas mídias.
- Novas mídias permitem Modelos de Cooperação mais descentralizados.
- A descentralização transfere mais decisões para as pontas.
- Mais decisões aumentam a Taxa de Autonomia e Responsabilidade.
- E quanto maior essa taxa, maior precisa ser a Robustez Conceitual das pessoas que agora precisam escolher por si mesmas.
Podemos resumir a hipótese do Formacionismo Bimodal da seguinte maneira:
↑ Complexidade Demográfica → ↑ Descentralização → ↑ Taxa de Autonomia e Responsabilidade → ↑ necessidade de uma Formação Conceitual Mais Reflexiva e Robusta.
O Formacionismo, portanto, não nasce da afirmação de que antes não existia Formação Conceitual, nem de que antes não existia reflexão sobre ela. Ambas sempre existiram.
A novidade está em propor que a Formação Conceitual do Sapiens passe a ser assumida explicitamente como fenômeno central de um Ambiente de Diálogo Científico próprio.
E o Formacionismo Bimodal acrescenta uma razão histórica para tornar essa reorganização ainda mais necessária: quanto mais a Civilização 2.0 transfere decisões dos centros para as pontas, mais cada Sapiens precisa desenvolver uma Formação Conceitual capaz de ajudá-lo a escolher, observar as consequências das próprias escolhas e aprimorar continuamente os conceitos com os quais conduz a sua vida.
As Ciências especializadas podem continuar organizando o conhecimento a partir dos fenômenos que estudam. O Formacionismo propõe olhar esse patrimônio também a partir de outro eixo: o Sapiens que precisa integrar conceitos para viver e decidir.
Afinal, podemos escolher entre diferentes caminhos. O que não podemos escolher livremente são as consequências dos caminhos escolhidos.
Antes estávamos defendendo porque precisamos de uma nova praça. Agora estamos começando a desenhar a praça e, principalmente, a separar a praça das barracas.
O Formacionismo não pretende dizer como todos devem viver. Ele cria um novo Ambiente de Diálogo para tornar mais consciente, reflexiva e robusta uma Formação Conceitual pela qual todo Sapiens inevitavelmente passa.
É isso, que dizes?
As seis principais novidades deste artigo
- Formacionismo é a praça, não uma barraca.
O Formacionismo passa a ser o Ambiente de Diálogo. O Formacionismo Bimodal é apenas uma das correntes que podem existir dentro dele. - Separamos Núcleo Duro Ambientológico de Núcleo Duro Fenomenológico.
O Ambientológico define qual é o problema da praça e por que ela existe. Os Fenomenológicos trazem as diferentes respostas das correntes. - A Formação Conceitual passa a ser dividida entre Mais Espontânea e Mais Reflexiva.
Todo Sapiens recebe conceitos espontaneamente da família, cultura, religião, mídia e convivência. Mas também podemos refletir, comparar, revisar e melhorar conscientemente esses conceitos. - O Formacionismo não inventa a Formação Conceitual Mais Reflexiva.
Ela sempre existiu na Filosofia, Psicologia, Economia, Sociologia, Educação e em diversos Conceituadores Fortes. A novidade é reorganizar esse patrimônio tendo a Formação Conceitual do Sapiens como centro da conversa. - A Civilização 2.0 explica por que isso se torna mais urgente agora.
Quanto mais descentralização, mais decisões chegam às pontas. Quanto mais decisões, maior a Taxa de Autonomia e Responsabilidade. E quanto maior essa taxa, mais Reflexiva e Robusta precisa ser a Formação Conceitual. - Robustez Conceitual passa a ser medida pela vida, não pela erudição.
A lógica é: conceito, decisão, ação, consequência, avaliação e aprimoramento. O conceito precisa ajudar o Sapiens a decidir melhor e aprender com as consequências.
Entrar para a Bimodais convidar ou agenciar Nepô para uma palestra:
palestras.nepo.com.br






























