• SilviaPiva

A Administração de Conflitos 2.0: uma nova forma de pensar o Direito

Atualizado: 6 de Nov de 2019

O mundo passa por mudanças não previstas.


Ninguém imaginou que uma mudança de mídia provocasse tantas alterações nas nossas vidas. E é por isso que, temos que nos propor a revisitar os nossos paradigmas.


O Direito, assim com as demais áreas das Ciências Sociais passar, neste século, por uma grande revisão de paradigmas.


Estamos diante de um momento em que é necessário repensar e reconstruir a forma de enxergar os problemas para evitar que a intoxicação dos métodos “tradicionais” do conhecimento impeçam o avanço de uma teoria.


A percepção do Direito sempre dispôs de uma série de métodos, escolas, pensadores para a interpretação da disciplina. São correntes importantes formadas a partir de grandes reflexões filosóficas, teóricas e metodológicas.

No entanto para enxergar os problemas do “futuro do pensamento e prática do Direito”, temos que nos afastar da forma como enxergamos os problemas dentro do contexto puramente jurídico.

Como estamos criando, na nossa visão, uma nova civilização, é preciso buscar as origens: Como tudo começou? O que gerou a necessidade de nossos antepassados por algo que veio hoje a se chamar hoje o “Direito”.


Precisamos criar uma ponte com esta demanda primitiva para evitar nos intoxicar do que veio sendo colocado depois.


É preciso separar o que é estrutural – aquilo que é da essência da espécie e sempre ficará - e aquilo que é conjuntural - que pode se modificar no tempo.


Podemos dizer que Mudou a Mídia, mudou a prática do Direito?


Primeiramente, precisamos deixar claro que para qualquer análise, precisamos identificar corretamente o diagnóstico do que estamos vivendo.


Hoje, temos o seguinte:


• o sapiens é uma Tecnoespécie e que por conta disso pode crescer demograficamente;

• ao crescer demograficamente, é obrigado a promover, de tempos em tempos, revoluções civilizacionais, pois precisamos ter um ambiente social também progressivo; • e que a partir das mudanças de mídia, mudamos o nosso DNA de sobrevivência, alterando a forma de comando e controle da comunicação; • O novo DNA estabelece nova Reintermediação dos processos, alterando o modelo de comando em todas as áreas.


Assim, quando falamos de futuro do Direito, estamos, no fundo, procurando debater o seguinte:

Como será feita a Reintermediação dos atuais processos por outros mais sofisticados?

E cabe a pergunta: o que exatamente será reintermediado, já que Direito é algo que podemos dizer que é vago e abstrato.


E aí voltamos às origens..


Qual é a demanda eterna que nos faz precisar de juízes, advogados, procuradores, legisladores?


A partir do nosso debate na Escola Bimodal, dentro do grupo setorial do Direito, não estávamos conseguindo enxergar, com nitidez, a demanda, a essência, a “raíz” do Direito.

Só conseguimos avançar quando saímos da ferramenta “Direito” para a demanda “administração de conflitos que necessitam de terceiros”

Note que se pensarmos que a demanda estrutural da espécie e por tudo que envolve a administração de conflitos que demandam terceiros, começamos procurar o que o novo modelo de intermediação poderá ajudar nisso.

É a administração dos conflitos, num novo modelo de comando e controle, por meio de plataformas "uberizadas" e "blockchenizadas", que procurarão eliminar antigos intermediadores.

Portanto, houve um grande esforço e debate para formular abstrações, com um único objetivo: identificar as demandas do “direito” e os seus respectivos “clientes”, que aqui preferimos tratar como “usuários”.


Ao analisarmos o sapiens de milênios atrás e suas formas de se relacionar com os demais, notaremos que todos eles precisaram, de alguma forma, resolver uma demanda essencial: a de administrar conflitos que demandam a intervenção de terceiros.


Se voltarmos ao berço da Mesopotâmia, encontraremos que este sapiens milenar, em suas demandas de sobrevivência, precisava prever que o “o forte não prejudicasse o mais fraco” e que conflitos cotidianos da unificação de reinos fossem resolvidos.


Para isso, 281 regras foram talhadas numa rocha, pelo rei Hamurabi, sobre o que poderia ou não ser feito. E se feito, havia a previsão de castigos que seriam aplicados por alguém, no caso os reis.


Assim, na civilização de 1750 a.c., havia uma demanda para administrar conflitos que não prejudicassem a unificação dos reinos. Para essa demanda, surgiu a necessidade da intermediação a partir de um conjunto de leis e julgadores, que ficou conhecido como o Código de Hamurabi.

Assim, se fizermos uma análise “antropológica” das demandas do Direito, teremos um campo de inesgotável de possibilidades, na medida em que será superado o pensamento “viciado” que temos hoje da área.

Nosso principal papel como Futuristas do setor é justamente conseguir não se deixar levar pelo que é conjuntural (a intermediação atual dos conflitos com o DNA de sobrevivência atual) do que é estrutural.


E da nova conjuntura que será criada, a partir das novas possibilidades.

Nosso grande salto conceitual foi o de perceber é preciso colocar as demandas no “centro” dos nossos prognósticos.

Optamos então por voltar a nossa análise para a administração de conflitos e precisaremos buscar, dentro de um novo modelo, formas de equilibrar a demanda com a oferta de soluções, a partir da criação de novas tecnologias que permitam a reintermediação de antigos intermediários que se tornaram obsoletos.


Portando, em nossos debates do setor, temos que ter como norte:


  • Num contexto Macro-Histórico, como a mudança das mídias interferiu na administração dos conflitos do sapiens?

  • Como as alterações do DNA Civilizacional, alterando as intermediações marcou as passagens da relação oferta/demanda?

  • Que será feito, a partir da análise de um cenário disruptivo, onde a nova Civilização 2,0, ao alterar o modelo de comando e controle, para ajustar do aumento exponencial dos conflitos e equilibrar a oferta, a partir de tecnologias, novos intermediadores?

Estamos então, a partir de uma análise que parte primeiro da Antropologia da Sobrevivência, ciência que a Bimodais trabalha, desdobrando um novo e profícuo campo de estudo que é o da Antropologia da Administração de Conflitos.


Acreditamos que alteramos, assim, a forma de enxergar o problema, para focar nossa análise nas demandas da Civilização no longo prazo.


Qual a sua opinião a respeito disso?


Sílvia Piva

Venha ser um Bimodal!




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